CMT leva memória da Legalidade à juventude em encontro da UNE e da UBES


01/06/2026

Nova edição da Brava Gente foi entregue às entidades estudantis durante posse da nova diretoria da UBES

 

O Centro de Memória Trabalhista (CMT) entregou oficialmente a nova edição da revista Brava Gente às direções da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), durante a cerimônia de posse da nova gestão da entidade secundarista, em Brasília.

O ato integrou as atividades de encerramento do 46º Congresso Nacional da UBES (CONUBES), que reuniu milhares de estudantes de diferentes regiões do país para debater educação, democracia e participação política da juventude.

A entrega foi conduzida pelo coordenador nacional do CMT, Henrique Matthiesen, que possui trajetória histórica no movimento estudantil e já ocupou o cargo de vice-presidente nacional da UBES. O gesto reforçou a aproximação entre as entidades estudantis e os espaços dedicados à preservação da memória política e democrática brasileira.

A nova diretoria da UBES, responsável pela condução da entidade no biênio 2026-2028, tomou posse em cerimônia marcada pela presença de lideranças estudantis, representantes de movimentos sociais e dirigentes políticos. A estudante Roberta Pontes assumiu a presidência da entidade secundarista. Bianca Borges permanece à frente da União Nacional dos Estudantes.

A edição da Brava Gente entregue às entidades estudantis é dedicada aos 65 anos da Campanha da Legalidade, movimento que marcou a resistência democrática brasileira em agosto de 1961. O episódio ocorreu após a renúncia do então presidente Jânio Quadros e diante da tentativa de setores militares de impedir a posse constitucional do vice-presidente João Goulart.

Naquele contexto, a UNE exerceu papel decisivo na mobilização em defesa da legalidade democrática. A entidade transformou sua sede, no então Distrito Federal, em um centro de articulação política e resistência popular, reunindo estudantes, intelectuais e lideranças comprometidas com a preservação da ordem constitucional.

A participação estudantil ultrapassou os limites da antiga capital federal. Integrantes da UNE deslocaram-se para Porto Alegre para apoiar diretamente a resistência organizada no Palácio Piratini, sob liderança do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

A mobilização articulada pela Rede da Legalidade utilizou emissoras de rádio para informar a população e convocar apoio nacional à posse de João Goulart. Meses antes da crise institucional, Brizola já havia estreitado relações com o movimento estudantil ao participar de atividades promovidas pela própria UNE.

A pressão popular construída por estudantes, trabalhadores, jornalistas, parlamentares e militares legalistas foi determinante para impedir o golpe e assegurar a posse de João Goulart em 7 de setembro de 1961. A Campanha da Legalidade tornou-se, desde então, um dos maiores símbolos da defesa da Constituição e da soberania popular no Brasil contemporâneo.

Durante a solenidade da UBES, a entrega da revista reforçou a importância de preservar a memória política nacional e transmitir às novas gerações as experiências democráticas que marcaram a história do país. A publicação reúne documentos históricos, análises, imagens de arquivo e reflexões sobre a participação popular na Legalidade, com destaque para o protagonismo estudantil naquele processo.

Ao entregar a revista às presidentas da UBES e da UNE, o CMT reafirmou o vínculo entre juventude, participação política e defesa das instituições democráticas. O encontro simbolizou a continuidade de uma tradição histórica de mobilização estudantil em defesa da democracia e da legalidade constitucional.